Posts Tagged ‘Música’

Um por todos todos por um

03/11/2010

O Globo, em 1/11/2010

Doutor pela UCLA, o DJ Faroff comenta sobre os direitos autorais de músicas na web

Você sabe o que é mashup? O economista Leonardo Bursztyn também não sabia, há cinco anos, quando se mudou para Boston para fazer doutorado.

Foi então que ele ouviu a mistura de duas músicas que, retrabalhadas, davam origem a um terceira. É como pegar Beatles e juntar com Beastie Boys. Aliás, foi quando ouviu “The Beastles”, de mashups feitos a partir de músicas destas duas bandas, que Leonardo, virou o DJ Faroff. Doutor em Harvard, quando ele não está dando aula na UCLA, recorta e cola músicas de gente como Joan Jett, LCD Soundsystem e Michael Jackson para criar a sua própria obra.

Sua fama em Los Angeles o levou a cidades como Berlim, Nova York e… Rio: dia 17 de dezembro, ele toca na Fosfobox.

Por isso, curiosos sobre o direito autoral que gira em torno de todo o processo criativo de Faroff (e da internet), fomos conversar com ele.

Não é perigoso pegar música dos outros para criar a sua? Não, porque não hospedo nenhuma música. Gosto de misturar dois ou mais videoclipes para criar um novo, e, vez ou outra, o YouTube avisa que aquele vídeo foi proibido em um país específico (ou no mundo inteiro) a pedido da gravadora da artista.

As versões que faço têm vocais de uma música e instrumental de outras; às vezes até instrumentos de várias músicas para criar o meu mashup. Nos clubes noturnos, é como se eu estivesse mixando ao vivo, como todos os DJs do mundo fazem.

Quem paga pelo direito de execução são os proprietários do lugar.

Qual o lado bom do mashup? Ao se fazer um mashup de um artista, você está na verdade divulgando ele – muitas vezes para um público novo. A realidade é outra hoje em dia: é impossível evitar que terceiros se apropriem e reciclem sua música e a indústria vai ter que se adaptar a isso. Estamos em uma era onde tudo é reaproveitável e misturável. E acessível.

Isso é ótimo.

Então qualquer um pega músicas e faz um mash-up? Sem preocupação com os direitos? Isto é um debate em aberto.

Alguns artistas tiveram que pagar por hospedarem trechos de músicas de outros artistas. Também podem ser processados se quiserem vender tais faixas. Mas cada vez mais, há produtores de mashups encontrando formas de evitar isso, como, por exemplo, argumentarem que a faixa não foi lançada com fins lucrativos.

Que software você usa? Uso o Sony Acid Pro para produzir o áudio e o Sony Vegas para editar os vídeos.

São muito práticos e fáceis de usar. Recomendo também o Ableton Live para produção de áudio.

Fecomercio: um a cada 10 já foi vítima de fraude virtual

28/09/2010

ClicaBrasília – DF, em 28/9/2010

Uma a cada dez pessoas na cidade de São Paulo já foi vítima ou tem familiar que já foi vítima de algum tipo de crime virtual, segundo pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) divulgada hoje. A sondagem apontou que o crime mais comum na rede de internet é a clonagem de páginas pessoais. Segundo o levantamento, 23,5% dos entrevistados na capital paulista relataram já ter passado por esta situação. (…)

Outra prática comum, baixar filmes e músicas não é considerado um crime pela maior parte da população. Somente 23,5% dos internautas consideram estes atos uma violação da lei de direitos autorais. O que não é comum para os internautas é se cadastrar em sites para receber conteúdos e promoções especiais. Somente 35,5% deles têm este costume, em grande parte porque, na opinião de 64,8% dos entrevistados, os sites não apresentam informações claras e precisas dos produtos que vendem.

A pesquisa da Fecomércio entrevistou 1.095 pessoas do município de São Paulo nos dias 16 e 17 de agosto de 2010.

Leia aqui a matéria na íntegra.

Estamos diante de um verdadeiro ”cabo de guerra” do Direito Autoral

10/08/2010

Estamos diante de um verdadeiro ”cabo de guerra” na questão do Direito Autoral é isso muito compreensível. Eu como uma artista independente, com pouca inserção em rádios e TV, tenho muito a perder com o atual sistema de distribuição de arrecadação de direitos autorais que se dá via sistema de amostragem. Todos nós sabemos que se  esse sistema fosse tão bom assim, como colocam os representantes de entidades de gestão de Direitos Autorais que compõe o ECAD, não teríamos tantas reclamações e injustiças há décadas. No meu ponto de vista, temos que buscar um meio termo.

Discordo de alguns dispositivos propostos para compor a nova lei, principalmente sobre as “Licenças Não-Voluntárias” previstas no art. 52-B, que para mim representa uma aberração e uma  idéia totalitária vergonhosa dentro dessa  lei. Mas se por um lado tem coisas ruins, por outro tem questões importantíssimas e muito relevantes. Tem pontos que há muito tempo necessitam de regulação, principalmente nas questões contratuais, que visam proteger os autores de abusos impostos pela maioria das gravadoras que, com seus truques jurídicos, enganam a grande maioria dos autores e músicos que em busca da realização de um sonho, acabam muitas vezes vivendo um grande pesadelo. Sugiro, para quem quiser conhecer melhor os bastidores das gravadoras, a leitura do excelente livro: O Direito Autoral no Show Business – a Música – de Nehemias Gueiros Jr. (Advogado especializado em Direito Autoral que por muitos anos fez parte de departamentos jurídicos de gravadoras Majors).

Acho extremamente importante e democrático o debate, é maravilhosa a possibilidade da Consulta Pública onde nós autores, cidadãos e interessados diretamente na questão, podemos dar nossa opinião abertamente. É certo que nunca chegaremos a um consenso, pois há divergências de interesses, mas tudo que gera mudanças e transformações  “sacode” o que ali está “deitado eternamente em berço esplendido”… Vivemos numa democracia, temos que falar, ouvir e olhar todos os lados, não podemos ficar engessados no “o que tá bom não se mexe”.

Leia aqui texto na íntegra.

Direito autoral (Painel do Leitor)

29/07/2010

Folha de S. Paulo – SP | Opinião, em 29/7/2010

O edital de que trata o texto “Governo vai distribuir R$ 600 mil para financiar “mini Ecads”” (Ilustrada, 27/7) visa fomentar a criação e modernização de entidades de gestão coletiva para todas as categorias de obras.

Com exceção da área musical, as demais categorias de criadores possuem imenso potencial de arrecadação inexplorado. Se for criada uma nova entidade para arrecadar direitos de autores de música, ela terá de integrar o Escritório Central de Arrecadação de Direitos Autorais (Ecad), conforme a lei atual. Portanto, não há fundamento na interpretação da reportagem de que objetivo do edital seria controlar o poder do Ecad.

DANIEL MERLI, chefe da Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Cutura (Brasília, DF)

Gerbase comenta artigo de Fernando Brant

21/07/2010

Eu já tinha lido o texto do Fernando Brant (Com medo de ser infeliz – Estado de Minas, em 30/6/2010) e, apesar de respeitá-lo como artista, só posso lamentar essa manifestação raivosa e avisar que ele está sendo absolutamente corporativo, isto é, está pregando a manutenção do atual sistema de arrecadação e distribuição de direitos autorais na área da música. Vamos falar com todas as letras: ele está efendendo o ECAD.

Eu, que também sou músico e recebo direitos pelas minhas obras, tenho uma opinião completamente diferente quanto a essa máquina que comanda os direitos autorais da música no Brasil. Acho que o ex-ministro Gilberto Gil, não citado diretamente por Brant por motivos óbvios, também não. As mudanças propostas para a lei do direito autoral estão muito aquém do que seria ideal, mas elas são positivas, em especial para a área do ensino.

A lei atual contém aberrações grosseiras, que permitem ao ECAD mover processos contra salas de cinema para cobrar supostos direitos que já foram pagos pelas produtoras de cinema aos músicos quando da sua contratação. Claro que, na interpretação do ECAD, não é isso que acontece: os músicos cobram pela “exibição pública”, enquanto os produtores pagaram pela “sicronização”.

Tem mais: a lei diz que os “autores” de um filme são o roteirista, o diretor e o músico. Por que os diretores e os roteiristas não estão cobrando seus direitos na justiça? Porque eles não tem (e não querem ter, graças a Deus) algo parecido com o ECAD. E por que um músico é mais autor que um montador, ou um fotógrafo? Essa discussão vai longe e temos que enfrentá-la, mas o texto do Brant não ajuda, não argumenta, não acrescenta.

Eu também não gosto de ditadura e também acho que o governo Lula teve seus altos e baixos. Neste momento, podemos lutar por um ponto alto: uma nova lei do direito autoral. Lembram da ANCINAV? Lembram da proposta inovadora do governo, que foi torpedeada e afundou? Foi um ponto muito baixo do governo Lula e demonstrou sua quase impotência na área da legislação do audiovisual. O mesmo está acontecendo na questão dos direitos autorais: quem tem privilégios não vai abrir mão.

Gerbase (cineasta brasileiro, integrante da Casa de Cinema de Porto Alegre)

De quem é o som nosso de cada dia?

21/07/2010